27 de julho de 2020 - Fonte: Assessoria Unoeste - Fotógrafo: Assessoria Unoeste
Parte da equipe envolvida na pesquisa durante trabalho na penitenciária feminina de Tupi Paulista
Pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Unoeste será apresentada na Conferência Europeia de Médicos de Família, em Berlim

Com grande relevância social, o estudo produzido na Faculdade de Medicina de Presidente Prudente (Famepp), que teve como objetivo investigar a relação entre saúde baseada em evidências e determinantes sociais na prevalência de transtornos mentais em pessoas privadas de liberdade, na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, foi aceito para apresentação em importante evento internacional da área. Trata-se da Conferência Europeia de Médicos de Família (European Conference of Family Doctors), que ocorrerá de 17 a 19 de dezembro em Berlim, na Alemanha.

A pesquisa desenvolvida por alunas da Famepp e coordenada pela professora Dra. Edima de Souza Mattos, entrevistou 412 detentas para aplicação de questionário validado, a fim de colher e analisar dados relacionados entre determinantes sociais e saúde mental na unidade prisional. “Os resultados embasarão propostas de políticas públicas de atendimento, atenção à saúde mental das mulheres privadas de liberdade e, inclusive, humanização do sistema carcerário feminino de Tupi Paulista/SP”, pontua a docente, que é coordenadora também no Núcleo de Avaliação Tecnológica em Saúde (Nats).

A iniciativa para enviar o estudo ao congresso foi de uma das alunas envolvidas, Julianne Silva Neves; do coordenador do Programa de Aproximação Progressiva à Prática (Papp) da Medicina, Dr. Alex Wander Nenartavis; e da professora Edima. “Fico muito feliz de ver uma acadêmica, que também é bolsista pelo Prouni, representando a universidade em um evento deste calibre. É o resultado de colocarmos em prática, por meio das Metodologias Ativas de Ensino e Aprendizagem, as Políticas Públicas, nos territórios das ESFs [Estratégias de Saúde da Família]”.

Julianne enaltece a oportunidade: “É um ambiente completamente diferente daquele que vivenciei minhas experiências ao longo da minha vida, inclusive no decorrer das atividades extracurriculares. É indiscutível que o nosso contato prático com essa realidade do sistema carcerário é mínimo. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional [PNAISP] prevê a inclusão da população penitenciária no SUS e, desse modo, torna-se de extrema importância sua execução no interior do ambiente carcerário, já que é uma forma de garantir que o direito à cidadania se efetive na perspectiva dos direitos humanos”.

Para a coordenadora do estudo, o tema tem grande relevância social e por isso ganhou notoriedade internacional. “Voltar o olhar para a saúde de vulneráveis deve ser a postura cidadã de todo profissional que cuida de vidas. Os determinantes sociais, na esfera da saúde, são marcadores de diagnósticos que podem salvar vidas. Os dados da referida pesquisa ratificaram a premissa de que o ambiente carcerário é fator de risco para a saúde mental”, pontua a Dra. Edima. 

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste