03 de julho de 2021 - Fonte: G1 - Fotógrafo: Divulgação

Todo mudo já foi alvo de fofoca e certamente não considerou a experiência agradável.

Fuxico, babado, mexerico, bisbilhotice, intriga, etc. Há vários sinônimos para a fofoca, mas o significado é um só: falar algo sobre uma pessoa que não está presente fisicamente naquele momento e que, na maioria das vezes, não tem ciência disso, cujo conteúdo está atrelado a algum tipo de julgamento moral. Tal conteúdo, sendo verdadeiro ou não, tem como objetivo difamar ou diminuir aquele que é alvo da fofoca.

Só que a fofoca evidencia justamente as fraquezas de quem conta. Falar mal do outro é uma forma de projeção, um mecanismo de defesa onde atribuímos ao outro aqueles sentimentos ou comportamentos indesejáveis que não aceitamos - ou desconhecemos- em nós. Assim, é melhor pensar que o outro está errado, pois desta maneira não é necessário refletir sobre os próprios aspectos internos, nem sempre fáceis de encarar.

Quem faz a fofoca tem necessidade, pela carência, de chamar a atenção do outro para si, pois, ao contar o fato torna-se uma pessoa importante, de acordo com a própria avaliação, já que detém aquela informação considerada valiosa.

As fofocas em tempos de Internet se espalham rapidamente, tornando qualquer um vulnerável, sobretudo aquelas divulgadas nos aplicativos de mensagens instantâneas e que, infelizmente, a maioria das pessoas não checa a veracidade da fonte. Pelo contrário, repassam da forma que chegou, principalmente se aquela informação vai ao encontro daquilo que a pessoa acredita.

Mas, será que é possível um mundo sem fofocas? É difícil. A fofoca sempre existirá. Sempre haverá em algum meio, seja social, familiar ou corporativo, uma pessoa que tenha uma habilidade diferenciada e que irá mobilizar sentimentos desconfortáveis em alguém que não tem isso bem resolvido internamente e, assim, ter aversão ao destaque do outro.

Fazer fofoca, mesmo como forma de vingança, pode trazer algum alívio da ansiedade, da baixa autoestima, mas apenas momentaneamente, já que o problema que desencadeou tais fatores emocionais não foi resolvido.

Por isso, se algo no outro te incomoda tanto, ao invés de critica-lo, reflita. O autoconhecimento o auxiliará a compreender quais aspectos precisam ser desenvolvidos e aprimorados em si mesmo, ao invés diminuir o outro inventando algo a respeito, acreditando que esta é a única maneira de sobressair-se.

Fonte: G1 - Créditos: Joselene L. Alvim-psicóloga