24 de março de 2017 - Fonte: Walter Roque Gonçalves - Fotógrafo: Divulgação

A operação “carne fraca” da Polícia Federal, revela que a carne foi pontualmente adulterada, mas revela, acima de tudo, que a carne humana é fraca.
 
 A operação deflagrada pela Polícia Federal conhecida como “carne fraca”, trouxe à tona, mais uma vez, escândalos que abalam a confiança nos produtos do nosso país e no comportamento ético dos nossos líderes.
 
Produtos adulterados com substâncias que devolvem a aparência saudável para alimentos, infelizmente, são mais comuns do que se imagina. E, não é somente no Brasil, deve-se lembrar que o McDonald´s teve que mudar a receita dos hambúrgueres após a denúncia do britânico Jamie Oliver, em 2012. Quanto ao leite, há diversos casos de adulteração com o uso excessivo de soda cáustica para dar vida comercial àquele produto que estava condenado, vencido. E neste caminho, há muitos outros exemplos.
 
Resvalamos neste ponto nas questões éticas; não há lei e sanções que impeçam as pessoas de utilizarem brechas para malandragem, a não ser pela consciência.
 
Pessoas que conquistam virtudes são tão tentadas quanto qualquer outra pessoa, mas, a consciência é um delegado tão forte que lhe “embrulha” o estômago somente pelo fato de pensar em agir contra os próprios valores e princípios.
 
Experiências sobre este tipo de consciência foram feitas pelo Brasil afora. Foram colocados relógios, sorvetes, frutas e outros objetos à venda. Havia um pote com algum dinheiro e instruções para a pessoa pagar o que pegar. Sem ninguém por perto para fiscalizar, apenas uma câmera escondida filmava a reação das pessoas. Infelizmente, a maioria aproveita-se da oportunidade para levar os objetos sem pagar, alguns levaram até o pote com dinheiro.
 
Em outros países, este tipo de negócio é comum. A grande maioria das pessoas simplesmente não roubam. Será que não são tentadas? Será que a “carne” delas não é “fraca”? Com certeza sentem o impulso e a tentação gerada pela oportunidade, mas refreiam, exercitam virtudes de forma coletiva de forma que sentem vergonha simplesmente de pensar em tal atos.
 
Como diz o historiador e filósofo Leandro Karnal: “não existe país com governo corrupto e população honesta”. Muito do que vemos na política está impregnado na população e no comércio. Isto precisa mudar para que nossas lideranças mudem.
 
Há um fato bem interessante neste ponto. Pessoas que aparentemente nunca roubaram na vida, na ocasião da paralisação dos policiais no Espírito Santo, surrupiaram mercadorias das lojas. Alguns, alertados pela própria consciência, devolveram espontaneamente mercadorias nas delegacias.
 
A operação “carne fraca” da Polícia Federal, revela que a carne foi pontualmente adulterada, mas revela, acima de tudo, que a carne humana é fraca, propensa a tentações e ao desvirtuamento de conduta. Por isso, é preciso que cada um de nós exercite tais virtudes e multiplique-as através dos exemplos e, que a consciência seja o melhor balizador, antes mesmo das sanções legais. Isto é o que tem faltado no Brasil: resistir às tentações, pois, apesar da “carne ser fraca”, o que tem faltado mesmo é “vergonha na cara”!
 
* Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, CRA: 6-003457, professor executivo/colunista da FGV/ABS (FGV/América Business School) de Presidente Prudente. Contato e artigos anteriores: fb.com/jkconsultoriaempresarial

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Walter Roque Gonçalves
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Consultor de Empresas / Prof. Executivo FGV