06 de setembro de 2016 - Fonte: Walter Roque Gonçalves - Fotógrafo: Ilustrativa

Adam Smith, o pai da economia moderna, escreveu em 1759 e 1776 respectivamente os livros A Teoria dos Sentimentos e A Riqueza das Nações, onde identifica o que ele chama de “A Mão invisível que conduz a economia”. Segundo o Dr. Gary Bolton, PhD em economia pela Carnegie Mellon University, a “Mão invisível” citada por Smith refere-se ao interesse próprio fortalecido pela avareza e a ganância que motivam grande parte das transações no comércio.
 
Complementando o estudo de Smith, Andrew Carnegie - o homem mais rico do mundo (1890/1919) – juntamente com o jovem Napoleon Hill dedicaram anos de pesquisa para identificar e divulgar as características que permitiram a diversos milionários a conquistarem suas fortunas.
 
Foram entrevistados 16 mil milionários. Destes foram selecionados 500 que além do dinheiro tinham também saúde física/mental além de bons relacionamentos social e familiar.
 
As conclusões do estudo foram publicadas no livro A Lei do Triunfo (1928), onde a ambição é tratada numa perspectiva sem a avareza. Também é evidenciado, nos estudos a necessidade de planejamento, metas, objetivos e da insatisfação positiva. Afinal, não há nada de errado em ter ambição, o problema é quando quer só para si, nunca se está grato pelo que se conquistou e quando se ressente pelo sucesso dos outros.
 
A verdade é que entre a ambição positiva de Carnegie e a ganância sempre há uma escolha ou pelo menos condições para definir a prioridade entre elas.
Por exemplo, o vendedor de uma concessionária de camionetes de luxo pode utilizar em seus argumentos de vendas o viés da ganância ou não. As duas formas vendem!
 
Na perspectiva da ganância pode-se evidenciar ao cliente o status que o veículo gerará, dizendo algo como: “Este carro vai dar o que falar no seu bairro”. Complementar a fala referenciando a aura de superioridade e poder que o veículo aferirá diante dos amigos, mulheres e até inimigos. Obviamente que isto vende! 
 
Mas, há outro caminho que gera resultados sustentáveis e é tão próspero quanto o primeiro modelo. Neste mesmo exemplo pode-se apresentar os diferenciais de segurança e o conforto do veículo, bem como o bom gosto e a qualidade dos materiais utilizados, os recursos para maior comodidade à família; e, a imagem de estrutura financeira sólida que naturalmente passará aos clientes, parceiros e fornecedores ao se apresentar com tal veículo, gerando mais credibilidade para novos negócios.
 
Portanto, pessoas que refreiam a ganância/avareza e investem numa ambição saudável, carregam o desejo de melhorar sempre, vivem agradecidas pelo que conseguiram, mas não se acomodam. E, ao se alegrarem com as conquistas dos outros, tornam-se exímios colaboradores para o trabalho em equipe: criam sinergia, geram valor, entregam produtos e serviços de qualidade e colaboram para superar a crise de credibilidade causada pela avareza desenfreada que geraram os crimes de corrupção que, por sua vez, colaboraram para o caos econômico que vivemos hoje.

* Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, CRA: 6-003457, professor executivo/colunista da FGV/ABS (FGV/América Business School) de Presidente Prudente. Contato e artigos anteriores: fb.com/jkconsultoriaempresarial

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Walter Roque Gonçalves
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Consultor de Empresas / Prof. Executivo FGV